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Mercado Central completa 90 anos e como presente ganha homenagem do Samba Queixinho no carnaval 2020

Até o final da década passada, Belo Horizonte era uma cidade extremamente pacata no período do carnaval. Apesar dos bailes nos clubes e dos desfiles das escolas de samba na avenida Afonso Pena, a população da capital mineira, em sua maioria, viajava para um sítio, uma cidade do interior ou um litoral. Até que, a partir de 2009, surgiu um movimento espontâneo contra as ações do município que buscavam proibir e burocratizar a ocupação da população nos espaços públicos. Como forma de protesto, artistas e o povo foram às ruas de Belo Horizonte de forma espontânea para fazer música, colorir a cidade, manifestar alegria e discutir questões políticas fundamentais, como mobilidade urbana e ocupação do espaço público.

Foi neste contexto que, em 2010, nasce o Unidos do Samba Queixinho e, ao longo dos anos, tornou-se um dos blocos mais populares do carnaval de BH. Comandado pelo mestre de bateria Gustavo Caetano e tendo como identidade o samba das escolas de carnaval, o Queixinho se notabiliza por ser um bloco com uma bateria virtuosa, formada por mais de 80 ritmistas, e também por defender a bandeira da diversidade.

Outra caraterística que marca a história do Queixinho é o diálogo com grupos artísticos mineiros que produzem obras universais e que levam a bandeira de Minas Gerais para o mundo. No carnaval de 2016, a primeira homenagem realizada foi ao Grupo Galpão. Na oportunidade, a “Esmeralda”, a emblemática veraneio do espetáculo “Romeu e Julieta”, desfilou como madrinha de bateria. Em 2018 foi o carnaval que o grupo levou para as ruas do carnaval belorizontino os bonecos criados por Álvaro Apocalipse, do Grupo Giramundo. Já em 2019 foi a vez do bloco marcar história em Belo Horizonte, homenageando o Grupo Corpo, uma das principais companhias de dança do mundo.

Dessa vez, o homenageado é um dos principais lugares e símbolos de Belo Horizonte que completa 90 anos de existência: o Mercado Central. Considerado o terceiro melhor mercado do mundo, segundo uma pesquisa realizada por uma empresa de aviação. “Nada melhor que celebrar algo que sintetiza o espírito mineiro, que é acolhedor e diverso. No mercado cabe todo mundo. Lá, você encontra gente de todos os gêneros, faixas etárias e classes sociais, assim como é o carnaval de rua de Belo Horizonte. Não há diferenciação entre as pessoas. Na verdade, a gente fala que o Mercado é a praia do mineiro. E a praia é isso: ela abraça todo o mundo. Por isso o Mercado é a praia do mineiro, porque ele também abraça todo mundo”, explica Gustavo Caetano, idealizador do Queixinho.

“A gente gosta de saber que as pessoas gostam da gente. Esta homenagem causa dois sentimentos: um de alegria e outro de responsabilidade. A gente entende que essa relação é uma via de mão dupla e precisamos mantê-la da melhor forma possível, sempre melhorando o ambiente. Além disso, o Mercado sempre teve vínculo com qualquer manifestação cultural. E com o samba e o carnaval, que retratam a vida das pessoas, não é diferente”, comenta Geraldo Campos, comerciante e presidente do Mercado Central.

Mercado e a diversidade

Acolhimento, ponto de encontro e convivência. É assim que Gustavo Caetano sente o mercado: “Lá, é como se fosse a casa da avó da gente, pois sabemos que na hora que mais precisarmos ele irá nos receber com carinho, conforto e comida boa”.

O mercado também é um lugar que une na medida certa a tradição e o contemporâneo, assim como a música e o carnaval de rua. “A nossa frase é assim: modernizar sem perder a tradição. Então, no Mercado tem de tudo que as pessoas precisam. Desde capinha de celular até frutas, carnes e lojas de utensílios domésticas. O interessante é entender que o bacana é o conjunto. Tem o meu pai que está no Mercado há 60 anos, mas também existem os novos que estão chegando, como uma padaria que acabou de ser criada por um jovem casal. A gente quer valorizar as sucessões das famílias, mas o Mercado não funciona sem os novos que estão chegando”, conta Geraldo.

Festas e homenagem

De acordo com o superintendente do Mercado, Luiz Carlos Braga, as comemorações dos 90 anos já começaram. “Neste mês, já fomos homenageados formalmente pela Assembleia Legislativa do Estado. Tivemos também o tradicional bolo de aniversário no Mercado para 6 mil pessoas. E no dia 14 de setembro fizemos uma festa de gastronomia na esplanada do Mineirão para comemorar os 90 anos do Mercado e os 54 anos do Mineirão. Um evento para a cidade, que foi um sucesso, e que contou com diversas atrações, como os shows de Alexandre Pires, Wilson Sideral e da bateria do Queixinho”, relembra.

Lançamento

Para comemorar o início da homenagem do Queixinho ao Mercado Central, no sábado, dia 05/10, às 14h30, o Barracão do Queixinho (rua Conquista, 254, Carlos Prates) vai promover o Oficinão Gratuito para quem quiser viver a experiência de tocar na bateria do bloco. Um evento aberto ao público. Só é necessário a pessoa levar o instrumento de percussão vai tocar: tamborim, repinique, chocalho, surdo ou caixa.

Depois do Oficinão, a partir das 17h30, acontecerá a Roda de Pagode do Queixinho, também com entrada gratuita.

E para fechar a homenagem com chave do ouro, no carnaval de 2020, o desfile do Samba Queixinho será em torno do Mercado Central, homenageando um dos maiores símbolos de Belo Horizonte.

Oficinão Gratuito e Pagode do Queixinho

Data: sábado, 05/10 (sábado)
Horário: 14h30
Local: Barracão do Queixinho (rua Conquista, 254, Carlos Prates)
Valor: gratuito
Retirada do Ingresso: https://www.centraldoseventos.com.br/events/show/queixinho-homenageia-mercado-central-oficinao-gastronomia-e-musica